Trabalhando para que você
pratique poker com tranquilidade
Texas Hold'em

A história do poker no Brasil: de Campinas a potência mundial

O poker moderno começou a se consolidar no Brasil no início dos anos 2000, impulsionado pelo crescimento mundial do jogo após o chamado "efeito Moneymaker" de 2003, quando o contador amador Chris Moneymaker venceu o Main Event da WSOP e ajudou a transformar o poker em um fenômeno global. No Brasil, esse movimento encontrou uma comunidade que passou rapidamente de jogos informais para torneios organizados, com forte concentração em São Paulo e expansão progressiva para outras regiões do país.

Brasil Poker CBTH

2004: os primeiros torneios organizados

Mas a trajetória brasileira não se explica só pelo crescimento da prática. Ela é, em boa parte, a história da construção de uma estrutura institucional sólida: a criação da Confederação Brasileira de Texas Hold'em (CBTH), o reconhecimento oficial do poker como esporte da mente, a consolidação de circuitos regulares como o BSOP e a formação de uma geração de jogadores que deu ao país um lugar de destaque no cenário mundial, tanto nas mesas presenciais quanto no ambiente online.

Apenas um ano depois do efeito Moneymaker, nasceu o Campeonato Paulista de Poker (CPH), embrião da cena organizada do poker brasileiro. Segundo reportagem da PokerListings, os primeiros torneios aconteceram em cidades como Campinas, Sorocaba e Santo André, promovidos por grupos de amigos em formato ainda amador, mas já com forte espírito competitivo. Leo Bello e Leandro "Brasa" Pimentel foram protagonistas desse momento pioneiro, ao lado de nomes como Igor Federal e Devanir Campos, o DC, que formaram o núcleo inicial do poker paulista.

O primeiro torneio do CPH reuniu apenas 25 jogadores, disputado em casas e bares, com toda a operação feita de forma artesanal. Foi esse crescimento orgânico, ano após ano, que ensinou o poker brasileiro a se organizar: calendário fixo, ranking, estrutura de mesas e uma comunidade cada vez mais fiel. Duas décadas depois, o mesmo campeonato acumularia mais de R$ 30 milhões em arrecadação e mais de 37 mil entradas em uma única temporada, prova de como aquela experiência inicial plantou a semente de tudo o que viria a seguir.

2006: nasce o BSOP

A experiência acumulada com o CPH abriu caminho para um projeto ainda mais ambicioso. Em 2006, Leo Bello, Leandro "Brasa" Pimentel e André Akkari lançaram o Brazilian Series of Poker (BSOP), com a proposta de criar um circuito nacional itinerante, com estrutura profissional, dealers em todas as mesas e blinds mais longos, aproximando o padrão brasileiro do que já se via nos grandes eventos internacionais.

A primeira temporada teve oito etapas em quatro cidades (São Paulo, Balneário Camboriú, Curitiba e Rio de Janeiro) e ainda um Torneio dos Campeões no fim do ano. A etapa de estreia, em São Paulo, reuniu 67 entradas com buy-in de R$ 1.000, valor considerado alto para a época. Números modestos para os padrões atuais, mas que já carregavam uma declaração de intenções: o Brasil queria construir algo grande.

2008 e 2011: o Brasil chega à elite mundial

Em 2008, Alexandre Gomes se tornou o primeiro brasileiro a conquistar um bracelete da WSOP, um resultado com enorme peso simbólico: provou que o Brasil já era capaz de competir de igual para igual com os melhores do mundo. A partir dali, o país passou a ser observado com mais atenção em circuitos como WSOP, EPT e WPT.

Em 2011, André Akkari, que desde 2007 era o primeiro brasileiro a integrar o Team PokerStars, venceu o Evento #43 da WSOP e conquistou seu próprio bracelete. O feito consolidou Akkari como um dos maiores embaixadores do poker nacional e reforçou, com resultado esportivo concreto, o que a CBTH já defendia institucionalmente: o poker é um esporte da mente, construído sobre estratégia, estudo e disciplina.

2009 a 2012: a CBTH assume a missão institucional do poker brasileiro

Foi em 29 de janeiro de 2009 que o poker brasileiro ganhou aquilo que faltava para dar o próximo salto: uma entidade dedicada a organizar, representar e proteger o esporte em âmbito nacional. Nascia a Confederação Brasileira de Texas Hold'em, a CBTH, reunindo federações estaduais com a missão de estruturar o poker esportivo, defender seu reconhecimento institucional e garantir que a modalidade pudesse ser praticada com transparência e regras claras em todo o país.

O trabalho começou a dar frutos rapidamente. Em 2011, a CBTH foi uma das entidades participantes na fundação da Associação Brasileira dos Esportes Intelectuais (ABRESPI), ao lado de representantes nacionais de xadrez, bridge, damas, go, mahjong e xiangqi, reforçando desde cedo o poker como parte da família dos esportes da mente.

O grande marco veio em 26 de janeiro de 2012, véspera da abertura da temporada do BSOP: o Ministério do Esporte, então sob o comando do ministro Aldo Rebelo, reconheceu oficialmente a CBTH como entidade esportiva e a cadastrou junto ao órgão federal. Na prática, isso significou a entrada do poker no Calendário Esportivo Nacional, com uma definição clara publicada pela própria CBTH: o poker esportivo é uma prática de competição que exige do praticante inteligência, capacidade e habilidades intelectuais e comportamentais para se obter sucesso. Desde então, o BSOP se consolidou como o Campeonato Brasileiro de Poker oficial da CBTH, hoje também afiliada à World Poker Federation (WPF).

Neymar, Ronaldo e a força do poker como fenômeno cultural

A presença de grandes nomes do esporte e do entretenimento ajudou a ampliar enormemente a visibilidade do poker no Brasil. Neymar Jr. se tornou embaixador da PokerStars em 2015 e, desde então, participa com frequência de torneios e ações ligadas à modalidade, incluindo edições especiais do BSOP que levam seu nome. Ronaldo Fenômeno também marcou presença em eventos do circuito, reforçando a ponte entre o futebol, paixão nacional, e o poker como competição estratégica.

Caio Castro, Ludmilla, Maurício Meirelles, Nobru, MC Ryan SP e Felipe Castanhari são outros nomes que já passaram por mesas de torneio no país, mostrando como o poker conseguiu se comunicar com públicos completamente diferentes sem perder sua essência competitiva. Poucos esportes conseguem reunir, ao mesmo tempo, tanta densidade técnica e tanta capilaridade cultural.

O BSOP hoje: uma das maiores operações de poker do planeta

Se em 2006 o BSOP nasceu com oito etapas e pouco mais de 60 entradas em sua estreia, hoje o circuito é uma das maiores operações de poker ao vivo do mundo, e os números de cada etapa da temporada 2025 mostram bem essa escala.

Logo na segunda etapa do ano, o BSOP São Paulo reuniu 35 torneios em sete dias e distribuiu mais de R$ 20,5 milhões em premiações, com oito torneios ultrapassando individualmente a marca de R$ 1 milhão. Em maio, o BSOP Gramado bateu recorde histórico no Rio Grande do Sul: o Main Event teve 857 inscritos (contra 686 em 2019 e 778 em 2022) e a etapa se tornou a primeira do estado a superar R$ 10 milhões em premiação total. Em julho, a BSOP Winter Millions trouxe 64 torneios com R$ 20 milhões garantidos, sendo R$ 4 milhões só para o campeão do Main Event.

O ponto alto veio em novembro, com a etapa BSOP Millions, realizada no Sheraton WTC, em São Paulo: foram 16 dias de evento, 106 torneios disputados e R$ 134,94 milhões distribuídos em premiações, um novo recorde do poker nacional (40,5% acima da marca anterior, de R$ 96 milhões, estabelecida em 2024) e o maior evento de poker já realizado na América Latina. Ao todo, 25.710 inscrições foram registradas, com jogadores vindos de 47 países, em torneios com buy-ins que variaram de R$ 500 a R$ 500 mil. O destaque individual ficou com o BSOP Championship, que distribuiu R$ 20 milhões garantidos e pagou R$ 6 milhões ao campeão, o tcheco Zdenek Zizka: a maior premiação individual já paga em um único torneio de poker na América Latina.

Esses resultados se somam a um patamar que o BSOP já vinha construindo havia anos: em 2024, a soma de todas as etapas da temporada ultrapassou R$ 150 milhões em premiações, o que colocou o circuito na terceira posição entre as maiores premiações esportivas do Brasil, atrás apenas do Campeonato Brasileiro da Série A (R$ 500 milhões) e da Copa do Brasil (R$ 450 milhões), ambos da CBF. Com o novo recorde estabelecido pelo BSOP Millions 2025, a tendência é a de que esse patamar seja superado outra vez.

Em 2026, o circuito chega à sua 20ª temporada, com etapas espalhadas por destinos como Costa do Sauípe, São Paulo, Gramado e Foz do Iguaçu, consolidando de vez o modelo criado em 2006: unir competição de altíssimo nível a uma experiência completa de viagem e entretenimento.

O poker online: o Brasil no topo do mundo

Se o poker ao vivo construiu a imagem do jogador brasileiro, foi no ambiente online que o país revelou toda a profundidade do seu talento. Em 2025, o Brasil bateu o próprio recorde no SCOOP (Spring Championship of Online Poker), disputado no PokerStars: foram 101 títulos conquistados nos 380 torneios da série, o equivalente a 27% de todos os troféus em jogo, superando com folga a Áustria (35 títulos) e o Reino Unido (34), segundo e terceiro colocados. Foi a primeira vez na história da série que um país atingiu a marca de cem títulos em uma única edição.

O desempenho se repetiu na WSOP Online, onde o Brasil conquistou oito braceletes em 2025, ajudando a coroar o melhor ano da história do país na série mundial, com 12 braceletes ao todo somando eventos presenciais e digitais. Esses números não são pontuais: eles refletem uma base ampla e consistente de jogadores, muitos dos quais começaram suas carreiras justamente no online antes de migrar para os grandes eventos presenciais.

Yuri Martins e os mais de 50 braceletes do Brasil na WSOP

A história dos braceletes brasileiros na WSOP tem muitos capítulos. Alexandre Gomes abriu o caminho em 2008. André Akkari consolidou em 2011. Depois vieram nomes como Thiago "Decano" Nishijima, Roberly Felício, Murilo Figueiredo e João Simão, hoje tetracampeão da série.

Mas foi Yuri Martins Dzivielevski quem escreveu o capítulo mais marcante dessa trajetória. Em junho de 2026, o paranaense venceu o Evento #36 (US$ 100.000 High Roller No Limit Hold'em) da WSOP, faturou o maior prêmio da carreira, US$ 2.841.432, e conquistou seu sexto bracelete, tornando-se o maior vencedor brasileiro na história da série. A vitória também marcou o 50º bracelete do Brasil na WSOP, um número que, há poucos anos, parecia distante para o poker nacional e que hoje é apenas mais um capítulo de uma trajetória em ascensão.

Reconhecimento mundial: o poker como esporte da mente

O trabalho institucional iniciado no Brasil pela CBTH em 2009 ganhou uma dimensão global em novembro de 2024, quando a International Mind Sports Association (IMSA), entidade que reúne federações internacionais de esportes da mente como xadrez, bridge, damas e go, aprovou definitivamente o poker como esporte da mente. A conquista foi liderada pela World Poker Federation (WPF), sediada em São Paulo e presidida por Igor Trafane, fundador da CBTH, com a confederação brasileira desempenhando papel central em todo o processo, desde a fundação da WPF.

Hoje, o poker figura oficialmente ao lado de modalidades como xadrez, bridge, damas e go no universo dos esportes da mente, reconhecido internacionalmente como uma modalidade definida por inteligência, estratégia e tomada de decisão sob pressão.

Uma história que a CBTH ajudou a escrever, e continua escrevendo

A trajetória do poker brasileiro é a história de uma comunidade que aprendeu a se organizar enquanto crescia. Foi assim com o CPH, em Campinas. Foi assim com o BSOP, que transformou um circuito itinerante em uma das maiores operações de poker do mundo. E foi assim, sobretudo, com a CBTH, que desde 2009 dá ao poker brasileiro aquilo que todo esporte precisa para crescer com solidez: representação institucional, regras claras e reconhecimento oficial.

Hoje, falar da história do poker no Brasil é falar de resultados internacionais expressivos, de uma potência consolidada tanto ao vivo quanto no online, e de um esporte da mente que encontrou no país uma de suas comunidades mais vibrantes e vitoriosas do mundo. E essa história, com a CBTH à frente da estrutura que sustenta tudo isso, ainda está sendo escrita.

Fontes

  • BSOP: página institucional e histórico oficial
  • PokerListings: história do CPH
  • NIC.br: reportagem sobre o Brasil no poker online
  • GipsyTeam: levantamento de braceletes brasileiros na WSOP
  • PokerNews: reportagens sobre João Simão e Yuri Martins

Atualizado em 26 de setembro de 2026.

Nós lutamos pelo poker

A Confederação Brasileira de Texas Hold’em ® é marca registrada – Todos os direitos reservados.

Todas as marcas ou imagens apresentadas neste site são registradas e seu uso foi autorizado para a CBTH exclusivamente.
Reprodução proibida para fins comerciais.

Confederação Brasileira de Texas Hold’em – CBTH
Associação privada sem fins lucrativos
CNPJ 10.878.689/0001-05

Rua Henrique Schaumann, 286, conj. 83, sala 07, Pinheiros, São Paulo/SP, CEP 05413-010